O Choque de Realidade e a Fantasia Insuperável

A humanidade não consegue transcender a sua ilusão caótica por estar cega demais pelas suas paixões, alimentadas por uma suposta inteligência que alega possuir. Tal inteligência não passa de uma ação clara de sua ignorância perante o mundo, dando a ilusão de controle perante o caos no qual não existe um domínio a ser exercido. Mesmo assim, com doses crescentes de soberba, pessoas se prendem a tamanha ilusão como sendo seu “talismã”, capaz de lhes concederem desejos indefinidamente quando assim desejarem. Isso revela-se ser apenas uma confusão mental, como um labirinto que confunde a mente e não revela com clareza o real caminho que, de forma necessária, é preciso percorrer para enxergar a realidade. O labirinto é naturalmente confuso por ser essa a sua própria natureza, no qual não temos o devido conhecimento sobre o melhor caminho que deve ser percorrido, mas não significa que não podemos entendê-lo e superá-lo. A superação inicia quando entendermos que, em muitos casos, somos os causadores de tal confusão graças a nossa capacidade fenomenal de causar desordem quando há uma devida ordem pré-estabelecida e inteiramente funcional que segue o seu percurso ininterruptamente sem criar tantos danos, geralmente de forma simples, direta e objetiva. Ora, a nossa capacidade de causar desordem cria a confusão caótica que se transforma nesse labirinto, no qual não fazemos ideia do caminho pelo qual precisamos percorrer para encontrar uma saída, se é que desse caos existe uma saída tão objetiva e direta - a saída para entender as coisas como elas realmente são.

  Encare o labirinto, essa confusão mental cada vez mais incompreensível, como uma realidade visível, porque é o que faz parte da vivência humana desde quando o mundo tomou forma. Nascemos, vivemos e existimos dentro desse labirinto, cuja proporção ultrapassa o nosso entendimento em que possui diversas dimensões alternativas distintas que, em um momento singelo em nossa percepção de realidade, nos deixamos conduzir aos equívocos existentes em tais dimensões desconhecidas aos deleites de realidades supostamente benéficas. No confronto direto com essas dimensões paralelas, a realidade genuína acaba por decair em um declive um tanto difícil de medir, de modo que em meio a tantas dimensões ela se torna inacessível entre as demais que são mais acessíveis e atraentes. Mas ao contrário do que se imagina, o choque de realidade nos traria, em nosso senso cognitivo, àquilo que precisamente é efetivamente eficaz: o despertamento para aquilo que é real, genuíno e provado não tão somente em teorias científicas, pensamentos ideológicos ou concepções abstratas, mas sim ao estar eminentemente ligado ao que tudo existe objetivamente, no que tange o ser pensante em sua totalidade fora deste labirinto.

  Torna-se difícil entender tal confusão quando se está em um emaranhado de sentimentos desconexos e confusos, que mais atrapalham do que ajudam no entendimento do que é a realidade. Os sentimentos aflorados não respondem inteiramente certas questões fundamentais do que tange o "eu finito". Esse "eu" trata-se da existência humana concreta na realidade, que é definida pela finitude de um ciclo quase que perpétuo de nascimento, crescimento e morte. Trata-se de um ser limitado ao tempo e espaço, pelas circunstâncias que não possui controle e, em muitos casos não tão isolados e constantes, a confusão causada por sentimentos que não tem ideia de onde surgiram. Eis a confusão que atrapalha todo o entendimento da realidade. Praticamente nada supera a ignorância aliada a paixões sem rédeas, sem o devido controle de suas ações mais banais. Essa é a ilusão fantasiada de liberdade que aprisiona as pessoas em seus labirintos mentais de ignorância. Se a saída dessa confusão for encarar a sua realidade como ela é, então é exatamente dessa maneira que podemos viver na verdade, e viver essa verdade significa pagar um preço alto demais que ninguém deseja pagar: enxergar a realidade como ela é e não da maneira que queremos enxergá-la. Transcender a mais absoluta ilusão caótica é o mais absoluto desafio que a humanidade encara diariamente desde sempre. Sem essa transcendência, nada é vencido; nada é superado; nada é enxergado com a razão. 

O que realmente faremos?

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