O Navio Quebra-Gelo e a Destruição da Sociedade

Para os olhos deliberadamente abertos às noções básicas que a realidade impõe, percebe-se claramente — em alto grau contínuo — a direção pelo qual é conduzida a sociedade aos níveis mais vis e fúteis que se poderia imaginar, com uma cultura ínfima e cada vez mais lastimável em nome de pautas dotadas de pura propaganda e desinformação. A mesquinharia política adotada por todo esse movimento anti-intelectual, que é contra toda forma de livre pensamento crítico e exercimento de algum grau de intelectualidade sadia, permanece com suas ações implícitas no qual podem estabelecer suas formas de domínio sem que os dominados percebam tamanho controle. O controle começa pelo domínio da mente do indivíduo, e dominando a mente domina-se absolutamente tudo: o que ele vai pensar ou deixar de pensar, no que irá acreditar e deixar de acreditar e quem irá obedecer. A forma glamourosa de propagandas enganosas auxiliam nessa empreitada e a sociedade, continuamente, permanece crente de que os acontecimentos vigentes são fruto de acasos da mera ação temporal, sem que haja um agente abrindo caminho para tornar tudo isso possível. Obviamente, o erro está nessa crença. Um mero acaso não tem a capacidade de criar uma situação tão complexa. Comecemos por esse ponto.

  Em praticamente tudo que ocorre nos tempos atuais de caráter pernicioso, houve antes uma formulação através de concepções intelectuais, com talvez anos de antecedência, análises e preparo para tal execução. Ademais, esquecemos que diante dos acontecimentos que ocorrem simultaneamente, há o elemento-chave que comanda as engrenagens dessa máquina corruptível. Deste elemento-chave saem os meios necessários que mantém esta máquina — ou sistema — de pé, como financiamentos multimilionários, estruturas de poder político, manipulações intelectuais e culturais, falsos estudos acadêmicos… Trata-se, portanto, de uma espécie de navio quebra-gelo (navio tipicamente criado para quebrar gelos e navegar por suas intensas camadas com sua proa apropriada), que vai quebrando todas as estruturas de normalidade, fazendo todos afundarem em meio a um oceano congelado de mentiras categóricas, no qual não se discutem os acontecimentos: apenas injetam na mentalidade popular certas condutas ou pensamentos como algo normativo que sequer pode ser discutido. A implantação é sempre feita de maneira imperceptível e um tanto sutil, dando a entender uma aparente normalidade aos afetados. Dessa forma, conquistam-se todos os pontos aos poucos, sem pressa e na mais absoluta paciência. Fazem as pessoas acreditar que elas não precisam pensar por conta própria sobre suas vidas a ponto de resolver problemas estruturais; as colocam em uma situação em que a adaptação aos absurdos deve ser simplesmente absorvida com uma certa normalidade, fazendo-as viver a vida na perda do que é unicamente precioso para nada resolvido definitivamente: o tempo. O tempo é um ativo precioso que quando vai, nunca mais retorna. O que isso significa? Na prática é não resolver problema algum e se acostumar com os problemas que são simplesmente amarrados uns nos outros, como o famoso “jeitinho brasileiro” de fazer “gambiarra”, enquanto o tempo, sendo esse ativo precioso, é perdido.

  Existe uma importância no ato de entender o estado real daquilo que vem acontecendo nos últimos tempos, porque em meio a tantas desordens cada vez mais crescentes, será exatamente esse ato de enxergar a realidade que fará o indivíduo despertar da mais absoluta ignorância. Mas o entendimento da pessoa em relação à realidade continua comprometido em sua capacidade de compreensão por abraçar tamanha ignorância, a fazendo abraçar essa ideia de que a sociedade está caminhando assim naturalmente com suas próprias pernas. De fato, existe um elemento corrupto que a conduz ao erro. Na crença religiosa cristã, isso é chamado de Pecado Original, que se trata da herança deixada pelos primeiros pais da humanidade, Adão e Eva, à humanidade vindoura, sendo o resultado da desobediência às ordens do Criador com aquilo que foi estabelecido como a única coisa proibida entre tantas outras permitas: não comer do fruto proibido. Talvez seja daí que vem a fascinação pelo proibido. Isso se transformou na inclinação ao mal que absolutamente todos os seres humanos possuem em seu código genético que é passado de geração em geração, sendo uns mais facilmente inclináveis aos aspectos mais concupiscíveis desse mal e outros nem tanto, levando em consideração o contexto social, questões econômicas e culturais onde estão inseridos que ajudam a melhorar ou piorar tal inclinação. 

  Mas apesar da inclinação natural ao mal que possuímos desde o nascimento e do esforço contrário que podemos desenvolver para nos inclinar ao caminho da virtude, nada impede que mentes mais inteligentes possam usar esse conhecimento para conduzir as massas para um determinado fim. Aberrações diversas são promovidas como normalidade e minorias barulhentas são geradas, dando a entender que eles próprios são a maioria na sociedade em relação a uma verdadeira maioria que está cega e absolutamente muda, que observa o mal prevalecer sem tomar sequer alguma providência cabível. Talvez a resposta a essa passividade seja o condicionamento a uma vida pacífica e cômoda que a modernidade trouxe. Ao mesmo em que temos abundância extrema comparada com nossos antepassados, nos acomodamos nessa abundância e não nos importamos se o caos domina ao nosso redor. Nesse suposto tempo de paz, nos tornamos fracos, inertes, preguiçosos e pacifistas ao extremo. Com isso, minorias conseguem avançar com suas metas, sempre visando um projeto revolucionário escondido através de propagandas. Em nome da dignidade, do amor, da tolerância, do direito e da justiça, destroem os costumes, as tradições, a cultura, a religião e a liberdade individual. Projetos como Ideologia de Gênero e Feminismo, por exemplo, são concebidos por essas mentes mais inteligentes para implantarem á longo prazo algum projeto de poder, podendo levar até mesmo um século de preparo e execução. Toda a documentação registrada torna difícil a compreensão pelo fato de que os escritos estão dispostos com certa linguagem não tão compreensível, além de que não é algo que as pessoas, naturalmente, buscam entender. Se falta cultura literária e interesse alheio pela falta de incentivo, isso se torna uma coisa ininteligível. O desprezo e a ridicularização é o único caminho concebível para quem não entende absolutamente nada do que está acontecendo ao redor.

  Mediante esforços e anos de adestramento, progressivamente alteram a forma como os indivíduos pensam, fazendo com o que os mesmos passem por alterações de comportamento. Os que conduzem essas pautas como quebra-gelo utilizam ferramentas propriamente eficazes: TV, cinema, mídia, música, teatro, moda, universidades e tendências nas redes sociais. São anos de adestramento inconsciente, que fazem com que o indivíduo afetado “vire a cabeça” sem saber da origem de tal adestramento. A confusão é tanta que essas mesmas pessoas adestradas abraçam certas ideias sem entenderem como isso se originou. Dificilmente irão responder, se forem questionadas, a origem de suas novas idéias. Somente sabem repetir aquilo que foi condicionado a repetirem. Não há espaço para ao menos cogitar se essas ideias condizem com a realidade dos fatos. O problema acaba se tornando este: é criada uma massa de idiotas úteis que não pensa, não questiona e que vive apenas por viver sem um sentido claro de vida, que são apenas capazes de viver uma vida de adaptação ao absurdo mais esdrúxulo possível. Ou seja, nada é resolvido e sequer superado. Os mais inteligentes usam essas pessoas como a frente de seu navio quebra-gelo. Com isso, rompem com mais facilidade certos obstáculos, tomam espaços, estabelecem pautas de controle e destroem tudo aquilo que é considerado um valor burguês: família, religião, patriotismo etc.

  É sempre perigoso navegar entre essas questões sem um devido conhecimento das intenções daqueles que estão por trás dos bastidores. É evidente que não iremos entender tudo que está acontecendo, mas o básico deve ser pelo menos compreendido para não sermos usados em um jogo cretino de poder e manipulação. Também é preciso entender o seguinte: nunca julgue uma pessoa pela propaganda que ela diz de si mesma, pois é evidente que essa pessoa sempre dirá coisas positivas de si mesma. Ao invés de abraçar o que ela demonstra positivamente para você, busque entender suas motivações, analisando o que ela diz combater. Se um indivíduo diz: "Eu sou a favor dos pobres e da justiça social", até agora ele somente disse aquilo que é de positivo e isto pode ser apenas uma mera propaganda. Mas, se ele diz que ama os pobres e, ao mesmo tempo, combate o que é considerado sagrado, destrói a tradição, vilipendia fatos históricos e promove o empobrecimento cultural, você está diante de um típico farsante que se esconde atrás da cortina, mas deixa sempre sua cauda no lado de fora. Este é o critério fundamental: observar e analisar. O que uma pessoa diz de positivo de si mesma não quer dizer absolutamente nada sobre quem ela é de verdade. As coisas nunca são como estão sendo apresentadas, e se apenas nos apegarmos as propagandas que são lançadas até nós, seremos sempre conduzidos ao mais absoluto erro. Nada é tão simples quanto dizer ser um sujeito bom que se preocupa com as pessoas, ainda mais se tratando de manipulação e controle. A realidade vem sendo esta: pessoas são usadas como a frente de um navio quebra-gelo, sem saber que estão sendo usadas para quebrar o galho em que estão sentadas. Ninguém, em sã consciência, deveria participar de uma manobra que irá destruir tudo aquilo que seus antepassados ajudaram a construir. Será este o legado que iremos deixar? A resposta não é tão simples quanto pensamos que seria.

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